Terminou em protesto a sessão especial na Câmara de Belém para debater a possibilidade de unificação das leituras obrigatórias aos vestibulares da Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade do Estado do Pará (UEPA). Ao final da sessão, estudantes colocaram narizes de palhaço e levantaram cartazes no plenário para protestar contra o que consideraram "ausência de uma resposta concreta" por parte das universidades sobre a unificação. Ao término da sessão, mais de duzentos alunos saíram em passeata pela avenida Almirante Barroso, onde fecharam o trânsito por quatro vezes. O protesto reteve o tráfego na avenida durante pouco mais de 40 minutos.
Durante a sessão presidida pelo vereador Alfredo Costa (PT), os estudantes do ensino médio e professores demonstraram preocupação com a extensão dos programas de Literatura de ambas as universidades, que quase não coincidem entre si. Para agravar, a UFPA realizou em abril uma mudança quase que completa em seu programa de leituras obrigatórias. Hoje, a Uepa pede 13 leituras obrigatórias, enquanto a UFPA pede outras 19, o que, segundo os estudantes e professores, torna inviável o estudo em menos de um ano.
A professora Lindomar Câmara observou que, juntas, as universidades cobram 58 assuntos em seus programas e apenas cinco coincidem. "É necessário que haja o casamento entre os programas das duas universidades. Não queremos ser meros repassadores de conhecimento, e sim despertar a paixão pela literatura nos alunos", disse a professora.
A estudante Cindy Ornela, que cursa o convênio em uma instituição privada, questionou o tamanho dos programas de literatura. "Com essa sobrecarga nós somos prejudicados, pois vamos terminar o ano sem aprender de verdade. Se as universidades não puderem realizar a unificação, pedimos pelo menos que repensem a dimensão do conteúdo", defendeu.
Pela UFPA, a pró-reitora de Ensino de Graduação, Marlene Freitas, disse compreender as queixas dos estudantes e reconheceu que o conteúdo de leituras é longo. "Neste momento, não posso tomar nenhuma decisão sobre o assunto, mas vou levar a discussão para a comissão de vestibular da Universidade", prometeu. Delmo Oliveira, diretor de de Acesso e Avaliação dos Processos Seletivos, ligada à pró-reitoria de Graduação da Uepa, descartou mudanças no conteúdo para 2012. "Não fizemos nenhuma mudança no conteúdo este ano e respeitamos o calendário. Portanto, nesse momento, não cabe à Uepa fazer nenhuma alteração", disse.
A estudante Natália Eugênia questionou o resultado da sessão. "Estamos sendo enrolados, porque ninguém decidiu nada. Viemos aqui ouvir tudo o que já sabíamos", desabafou. Emanoela Chaves também não aprovou o resultado. "Eles dizem que não dá mais tempo de fazer mudanças pra esse ano, mas souberam mudar todo o conteúdo em pleno mês de abril", reclamou.Fonte: http://www.orm.com.br/projetos/oliberal/interna/default.asp?modulo=247&codigo=531816










